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MONSENHOR RODOLFO DALGADO

Sebastião Rodolfo
Dalgado nasceu em 1855 em Assagão, concelho de Bardez, distrito de Goa, antigo
Estado da Índia; após a conclusão dos estudos secundários, entrou para o
seminário de Rachol, onde foi ordenado em 1881. Seguiu para Roma onde continuou os seus estudos no
seminário de Santo Apolinário onde fez os doutoramentos em Direito Canónico,
Direito Romano e Sagrada Teologia; recebeu as honras de capelão Honorário do
Papa extra urbem com o título de Monsenhor.
Em 1884 regressou a Goa
sendo nomeado inspector de seminários e escolas do padroado e Professor de
Sagradas Escrituras e Direito Canónico pelo Patriarca das Índias Orientais, Dom
Sebastião Valente. Desempenhou ainda as altas funções de Desembargador da
Relação Eclesiástica.
Exerceu posteriormente
intensa actividade missionária em Ceilão, Calcutá e Dacca o que permite-lhe o
domínio de várias línguas orientais, nomeadamente o Malayalama, Kannada, Tamil,
Cingalês e Bengali. A aprendizagem destas línguas só foi possível graças ao seu
profundo conhecimento de Sânscrito. Foi Vigário Geral de Ceilão e rejeitou a
Mitra que a Congregação da Propaganda lhe oferecera.
Em 1907 foi nomeado
professor da cadeira de Sânscrito na Universidade de Lisboa. Atendendo aos seus
brilhantes estudos e trabalhos, o Governo da Metrópole nomeou-o para o corpo
docente do Curso Superior de Letras. Foi sócio correspondente da Academia das
Ciências. Ingressou de seguida na Faculdade das Letras como Doutor em Letras,
título que lhe foi conferido pelo Conselho da Faculdade como consagração ao seu
saber e inteligência.
Um problema de saúde
obrigou a que lhe fossem amputadas ambas as pernas, mas a Faculdade
concedeu uma prerrogativa particular de
exercer as funções de catedrático em sua casa, onde os seus alunos o rodeavam
para ouvirem as suas magistrais lições.
Foi filólogo, eminente
orientalista e lente da Faculdade de Letras, tendo deixado para a posteridade
algumas obras de alto valor, tais como “Glossário Luso-Asiático”, “Dialectos
Indo-Portugueses” de Ceilão, Goa, Damão, Bombaim e Negapatam, “Provérbios
Concanis” e “Dicionários Concani-Portugues e Portugues-Concani”. Como
reconhecimento da sua obra foi nomeado Prelado Doméstico pela Santa Sé, Doutor
Honoris Causa pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e membro da
Royal Asiatic Society de Londres. A suas obras mereceram do mundo culto grandes
elogios dos quais tomamos a liberdade de citar duas das mais significativas: a
do Doutor Gonçalves Viana que apreciando a sua obra intitulada a “Influência do Vocabulário Português em
Línguas Asiáticas” classificou-a como um trabalho de largo fôlego que talvez
nenhum outro sábio português ou mesmo estrangeiro, poderia levar a cabo
satisfatoriamente e a do filólogo brasileiro Dr. Solidónio Leite que deixou constatado
o seguinte depoimento: somente o Monsenhor Dalgado poderia empreender e
executar aquelas obras o que atestam sobejamente o valor excepcional desse
grande homem. Este nosso ilustre conterrâneo que ergueu bem alto o nome da sua
terra natal foi muito justamente homenageado pela municipalidade lisboeta que deu o seu nome a um largo situado na
freguesia de S. Domingos de Benfica da capital portuguesa. Faleceu em Lisboa a
4 de Abril de 1922. A Academia de Ciências de Lisboa admitiu-lhe a título
póstumo como seu membro.
Francisco Monteiro